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quarta-feira, agosto 13, 2014

Vale ler e refletir

Há muito li esse texto e me surpreendi, pois o mesmo refletia muito do que penso - vai, aliás, bem de encontro ao que falei no último domingo. Imediatamente, o acresci como nota no Facebook, para que outros também pudessem pensar a respeito, e enviei também por e-mail a algumas pessoas. Hoje, percebi que ainda não havia compartilhado com vocês por aqui, então, nesta manhã, o reproduzo, para que leiam, reflitam e façam correr a ideia por mais lugares.


Aos nossos filhos
Frei Betto

Não tenho filhos. Mas, obviamente, sou filho, em companhia de mais sete irmãos. Se me faltam filhos biológicos, tenho-os espirituais ou por vínculos de parentesco. Sobrinhos são 16. Sobrinhos-netos, 14, dos quais nove com menos de cinco anos de idade!

Quando se fala em legado aos filhos há quem, de cara, pense em dinheiro. Tudo bem que os pais queiram fazer um pé de meia de olho no futuro de seus rebentos. Mas... cuidado! Não é dinheiro o que um filho mais espera dos pais, ainda que não saiba expressá-lo. É amor, amizade, apoio e, sobretudo, exemplo de vida. Thomas Mann dizia que um bom exemplo é o melhor legado dos pais aos filhos.

Ainda que os pais, bafejados pela roda da fortuna, deixem a seus descendentes gordas heranças, estas não deveriam ser o principal legado. Nada mais perigoso a um jovem que centrar sua autoestima na conta bancária ou no patrimônio familiar. É meio caminho para se tornar arrogante, preconceituoso e vulnerável às drogas. Sobretudo à cocaína, cujo efeito anaboliza a prepotência. Ao primeiro revés, o herdeiro despencará no abismo, despreparado para enfrentar a realidade.

Quem não se sente subjetivamente valorizado corre o risco de querer nutrir sua autoestima através de valores financeiros e patrimoniais. O ter suplantando o ser. Como o desejo tem fome de infinito, o tamanho da ambição costuma ter a medida da profundidade da frustração. Na Roma antiga os filósofos aconselhavam a considerar o necessário o suficiente. Uma sábia dica para saber lidar com a avassaladora pulsão consumista que assola o mundo.

Educação e espiritualidade 

O melhor legado aos filhos é, sem dúvida, uma boa educação. Não me refiro apenas à escolaridade, que é imprescindível. Pesquisas comprovam que, no mercado de trabalho, o nível de escolaridade corresponde ao salarial. Conhecimento é poder.

A educação ética deveria ser o principal legado aos filhos. E ela decorre do exemplo dos pais. Estes devem fazer a escolha: incutir nos filhos atitudes de competitividade ou de solidariedade? O professor Milton Santos, da USP, enfatizava a importância de se perseguir os bens infinitos, e não apenas os finitos. A advertência ganha especial importância neste mundo desimbolizado, desencantado, em que vivemos, onde se carece de abertura aos valores
transcendentais.

Em sua Metafísica dos costumes Kant alerta: "Tudo tem ou bem preço ou bem dignidade. O que tem preço pode ser substituído por seu equivalente; ao contrário, o que não tem preço e, portanto, equivalente, é o que possui dignidade." Em outras palavras, o sadio orgulho de ser ético se contrapõe à miserável satisfação de ser esperto.

Uma criança não deve ser movida a consumo, e sim a aprendizado, brincadeiras e fantasias. Um jovem será tanto mais cidadão quanto mais se incutir nele esperanças altruístas, ideais, sentido de vida e utopias.

Toda criança é mimetista. Se os pais dizem que toda pessoa merece respeito e, ao mesmo tempo, tratam a faxineira como escrava virtual, com certeza o filho fará o mesmo quando adulto. Idem no que diz respeito à preservação ou degradação ambiental.

O legado moral consiste em evitar que o filho seja preconceituoso, mentiroso, invejoso, e saiba tratar cada ser humano com pleno respeito à sua dignidade e a seus direitos. Sobretudo, que tenha espírito crítico e disposição de tornar o  mundo menos desigual e mais justo.

Todos acompanhamos o recente episódio, no Rio, do rapaz que, num racha, desrespeitou a sinalização de "trânsito impedido" num túnel em obras e matou Rafael, 18, filho da atriz Cissa Guimarães com o músico Raul Masca renhas.

Segundo o noticiário, o pai do jovem homicida teria subornado os policiais incumbidos de puni-lo. Tal pai, tal filho.

Isso vale para outros aspectos da vida. Como se queixar do filho obeso se os pais se empanturram à mesa e se entopem de açúcares e gorduras saturadas? Com frequência, pais de adolescentes me consultam sobre como agir frente à indiferença religiosa dos filhos. Minha primeira reação é dizer que a pergunta veio com dez anos de atraso. Se os filhos tivessem 6 ou 8 anos, e não 16 e 18, eu saberia o que aconselhar: orem com eles, leiam e comentem a Bíblia, levem a sério o caráter religioso de datas como Páscoa, Natal ou, caso não sejam cristãos, as efemérides próprias de sua denominação religiosa.

E exercite-os na cada vez mais rara virtude da tolerância. Deus não tem religião. Ensinem a seus filhos não considerarem diferença divergência. Pela ordem natural, pais morrem ou transvivenciam antes de seus descendentes. Se indaguem - que imagem vocês deixarão na memória de seus filhos? Lembrem-se de seus próprios pais e avós. Quais os legados positivos e negativos eles imprimiram em sua memória afetiva? Deixaram saudades?

A parábola
Um homem muito rico, acometido de grave doença e desenganado pelos médicos, convocou filhos e netos para comunicar-lhes a herança que lhes deixaria. Todos, ansiosos, compareceram ao hospital. Formaram uma grande roda em torno do leito.


Dada a ordem, o advogado do enfermo abriu a pasta e distribuiu aos herdeiros caixas de fósforos, uma para cada um. Decepcionados, entreolharam-se e, ao abrirem a caixinha, encontraram pequenas sementes. O homem, tom ando em mãos uma das caixas, explicou: "Esta semente é a do amor; esta, da solidariedade; esta aqui, da compaixão; esta, da amizade; aquela ali, do perdão. Se vocês souberem cultivá-las, haverão de ser felizes." E acrescentou: "A fortuna que acumulei será destinada a obras sociais."


sábado, agosto 24, 2013

Transmitindo uma ideia, amiguinhos...

..."vou lhes falar um negócio": é importante saber que nem tudo que se fala precisa ser falado tãããããão a sério. É verdade, já me estressei muito por levar as coisas dessa forma também - confirmam isso os mais fortes e mais antigos na convivência - e percebi que na vida é importante relaxar um pouco e aprender a se divertir. E isso não quer dizer que você não seja responsável, respeitoso, amigo, amável, agradável - e todas as outras qualidades que, se como é, né, envolvem minha humilde pessoinha. Trabalho, família - aqui, incluída a sanguínea e a escolhida, que inclui namorado (pode ser namorada, se você for menino), amigos-irmãos - amigos etc etc etc - e aqui incluímos todos os exemplos que tenham importância na vida - são coisas que exigem dedicação, responsabilidade, respeito, entre outras tantas coisas. Mas brincar, claro, sem ofender ninguém, nem você mesmo - #pelamor - faz bem pra vida. Um sorriso pode contagiar e tornar a vida daqueles que estão a sua volta mais feliz! Inclusive pode tornar o ambiente em que você está mais suave, agradável, não é mesmo? 

Então, fofos lindos, falem sério quanto é preciso falar a sério e brinquem quando é possível brincar, e não perturbem quem faz isso - as duas coisas, no momento em que estiverem fazendo cada uma das duas coisas, entendeu? - e não julguem porque julgar é algo muito chato, feio e pretensioso, já que talvez você não conheça a pessoa que está julgando ou não conheça a vida ou não tenha amigos ou não seja feliz ou não esteja realizado ou não esteja seguro com você mesmo ou sei lá mais o que - como "sei lá mais o que", você pode incluir sua justificativa preferida.

Por fim, espero que tenha dado tudo certo para quem tinha que dar certo.

E, por fim, de novo, oh, gente chata! #prontofalei




Falei de novo, né? Já tinha falado isso. Repetitiva, eu... Dá uma olhada lá: Por que nunca me conformo com a fácil opção do ser humano em avaliar o um tomando por base o todo, ou talvez apenas a sua realidade individual de um em relação a este todo?

domingo, junho 23, 2013

Enfim, de volta! Ideias bombando e exercendo o direito de omissão consciente.

Muito tempo segurando muitas ideias, estou de volta para libertá-las e convidá-los a segurá-las, compartilhá-las, criticá-las, acrescentar-lhes novos pontos de vista...

Já de início, me declaro consciente das manifestações, favorável às bandeiras e questionadora dos meios empregados. Acho válida e legítima a manifestação nas ruas, um belo exemplo, remontando outros tempos e fazendo (re)surgir ideais num povo já muito desgastado. Questiono, entretanto, em que medida essas manifestações estão realmente sendo feitas por e para este povo que precisa de mudanças. Não digo que quem vai  às ruas não precise - todo cidadão brasileiro precisa de mudanças políticas, merece respeito de seus governantes - mas falo do quanto compreendem e se apropriam da luta. As causas, na minha humilde opinião, são de todos, mas talvez não esteja sendo permitida a todos. Não acredito que sendo contra tudo e todos os instrumentos existentes, como imprensa, partidos políticos, instituições etc, pode-se conquistar de maneira realmente democrática. É preciso agregar, transformar tudo o que já se tem, apesar da imperfeição de cada parte deste todo, em um elemento capaz de contribuir, fortalecer. É preciso, agora, que a atenção já foi chamada, até mesmo em âmbito mundial, parar de gritar e dialogar. É preciso perceber que, a cada dia que as manifestações (sim, pacíficas) acontecem, infelizmente, diversos grupos com intuitos diversos e, em grande parte, destrutivos se aproveitam para atuar, retirando em parte a legitimidade e a beleza do movimento. Que sigamos no caminho por mudanças, com maturidade e responsabilidade nas posturas e principalmente nas consequências dos atos diários.




segunda-feira, abril 22, 2013

E o respeito?

Uma palavra com tantos significados, né? E é impressionante como, por diversas vezes, todos eles são esquecidos ou inutilizados nas situações da nossa vida.

Se tem uma coisa que faz diferença, em uma pessoa, na minha, como sempre digo, humilde opinião, é a forma com ela lida com esse atributo chamado respeito. Penso da seguinte maneira: respeito é questão de educação. Você não precisa gostar, nem ter medo do outro ou achá-lo superior; ele não precisa ser mais velho ou, ainda, ter qualquer outra razão que te faça crer que ele é melhor do que você. Respeito é questão unicamente de educação. No mundo ideal, se a pessoa te respeita, te trata com educação, não te faz mal, não há porque você desrespeitá-la. Da mesma maneira, ainda que a pessoa te destrate, se você tem educação, você tomará atitudes entre, por exemplo, respirar fundo e ignorar a pessoa, tratá-la com educação, afinal, não é porque a pessoa é mal educada que você também deverá ser, ou ainda, se realmente valer a pena, responder de maneira firme deixando claro que a maneira como ela agiu não foi a correta, ao menos na sua opinião.

Mas, mais uma vez, esse é o mundo ideal, né? Seria lindo se fosse simples assim. Mas já parou pra pensar porque não é?

Partindo do princípio de que respeito é uma questão de educação, o que se costuma ensinar sobre respeito às crianças? "Respeite os mais velhos." "Respeite seu pai e a sua mãe." Respeite a sua professora." Algumas vezes, temos até "Respeite o seu coleguinha!", normalmente, repreendendo. É ou não é assim?

É claro que temos (espero) diversas situações de exceção a essa regra, mas infelizmente ainda é uma constante. Em geral, não existe a preocupação em esclarecer porque se deve respeitar, o que é respeitar e, principalmente, a quem respeitar. Respeitar é ouvir, obedecer, sem raciocinar? Aceitar qualquer tipo de coisa? Ouvir qualquer desaforo? Aceitar ser espancado? Conviver com absurdos? Porque é isso que a criança, naturalmente, pensa e isso acaba se refletindo pra vida dela enquanto adulto, no comportamento, nas palavras, nas atitudes. E aí a pessoa aceita ser agredida moral e verbalmente na escola pela professora, pelos "colegas" mais velhos, no trabalho ou na vida social pelo chefe ou superior, pelos "amigos" em situação "mais importante" ou "melhores colocados profissionalmente" ou "mais inteligentes" ou om "mais habilidade" em alguma atividade, pelos familiares "mais estruturados", "mais espertos" etc. E isso tudo é considerado normal, afinal, ele não se dedicou, ele é um burro, ignorante, cometeu um erro inaceitável ou imperdoável e merece ser tratado dessa forma. Além disso, ele está seguindo o que foi ensinado: ele respeita os mais velhos, os mais importantes, os mais experientes.

Começando pelo conceito - adoro conceitos (infelizmente) destruídos pelo tempo! "respeito demonstra um sentimento positivo de estima por uma pessoa ou para uma entidade (como uma nação, uma religião, etc.) e também ações especificas e condutas representativas daquela estima. Respeito também pode ser um sentimento específico de consideração pelas qualidades reais do respeitado. Pode também ser conduzido de acordo com uma moral específica de respeito. Ser rude é considerado uma falta de respeito (desrespeito) enquanto que ações que honram a alguém ou a alguma coisa são consideradas respeito." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Respeito)

Então, pode-se dizer que respeito é conquista, né?

Mais ou menos. Pode até ser assim, mas e quem não conquista esse respeito da sua parte, você desrespeita e pronto? E a educação? E a pessoa que você é? E a forma com a qual você costuma tratar as pessoas, como é?

Viu como são conceitos atrelados?

O desrespeito deve ser combatido, com inteligência, educando, esclarecendo, demonstrando. A vida é uma troca e agressões não podem ser tidas como normais. É fundamental saber falar com o outro e, sim, gerir suas atitudes e reações, ainda que haja intimidade na relação. Pensar antes de falar pra não agredir, não magoar, não desrespeitar a qualquer um, mais velho, mais novo, chefe, empregado, vizinho, colega, desconhecido... Numa fala ou numa reação. Gerir.

P.S.: Tento aplicar isso no meu dia-a-dia e, muitas vezes, tenho ódio de mim por, por algum tempo, desacreditar que isso realmente valha a pena. A sorte é que, como digo, meu santo é forte e me mantenho no caminho que acredito.

É difícil? É, mas o que não é difícil nessa vida, não é mesmo? Então, segue no som: É preciso saber viver.